De Chirico – Figuras estranhas perdidas no infinito

Em 2012 fui em uma exposição do Caravaggio, na Casa Fiat de Cultura em Belo Horizonte. Para minha surpresa, o que mais me encantou foi a exposição De Chirico: O Sentimento da Arquitetura, sobre um artista que nunca tinha ouvido falar até então, e que acontecia no anexo do espaço.

Quem é De Chirico?
Giorgio De Chirico nasceu na Grécia onde o pai, italiano, trabalhava. Estudou em Atenas e após a morte do pai, passou pela Alemanha, França e Itália, sendo influenciado pelo romantismo de Böcklin, o simbolismo de Klinger e as vanguardas artísticas de Paris.

Cavalli in Riva al Mare, 1927 - 1928
Cavalli in Riva al Mare, 1927 - 1928

É considerado o maior representante da “pintura metafísica”, que interrogava dimensões do conhecimento onde o vazio existencial se faz presente. Suas obras representam o que ele chama de “nostalgia do infinito”.


Num universo povoado pelo estranhamento, onde figuras humanas aparecem sem rostos, sempre perdidas em paisagens oníricas, De Chirico coloca cavalos, cenários arquitetônicos solitários, irreais e enigmáticos, estruturas de máquinas, homens-máquinas, e tudo o mais, perdidos no espaço.

Cavalli in Riva al Mare, 1928
Cavalli in Riva al Mare, 1928

De Chirico teve bastante projeção dentro das correntes artísticas de sua época, sendo sua primeira exposição em Paris, em 1912, muito admirada por Picasso e Appolinaire.

Com sua pintura, antecipou a triunfo da estética surrealista, o enigma de sua radical transformação pictórica acrescenta mais uma interrogação ao estranho mundo de suas visões.

Horses with Riders, 1934
Horses with Riders, 1934

Inesperadamente, na década de 1920, rompeu com seu estilo migrando para uma pintura mais classicista, senso muito criticado por isso.

Essa mudança aconteceu ao descobrir Roma, seus monumentos antigos e a arte do Renascimento. Inspirado pelas técnicas dos grandes mestres, seus espaços sem sombra passam a ser povoados de colunas gregas e os manequins são substituídos por guerreiros da Antiguidade ou por cavalos!

The Bank of Thessaly, 1926
The Bank of Thessaly, 1926
Two Horses by a Lake, 1950
Two Horses by a Lake, 1950

Em 1940 regressou à Itália e adotou um estilo acadêmico, baseado em temas mitológicos e clássicos.

Faleceu em Roma, em 1978.